Espanhol El Celler de Can Roca é o melhor restaurante do mundo!

Os irmãos Jordi, Joan e Josep Roca, responsáveis pelo restaurante El Celler de Can Roca

Os irmãos Jordi, Joan e Josep Roca, responsáveis pelo restaurante El Celler de Can Roca

Depois de ficar em segundo lugar nas edições de 2011 e 2012 da lista dos 50 melhores restaurantes do mundo da revista britânica “Restaurant”, os irmãos Joan, Josep e Jordi Roca desbancaram o dinamarquês Noma, que se manteve em primeiro lugar por três anos.

El Celler de Can Roca fica em Girona, na região da Catalunha, na Espanha.
As principais características da cozinha são a preferência pelos ingredientes típicos catalães, a combinação de técnicas inteligentes e simples com um certo humor na apresentação dos pratos.

No menu da casa, estão pratos como sanduíche de pele crocante de porco ibérico e melão, linguado, azeite e sabores do Mediterrâneo: erva-doce, bergamota, laranja, pinoli e azeite, “cigala” (cavaquinha) da Noruega cozida no vapor de Amontillado e ostras com cava Agustí Torelló, compota de maçã, gengibre, abacaxi, limão confit e especiarias.

Com uma cozinha espanhola moderna, em 1995, o restaurante recebeu a primeira estrela Michelin. Em 2002, veio a segunda e, em 2009, a terceira.

BRASILEIROS
O brasileiro D.O.M., de Alex Atala, caiu da quarta posição de 2012 para a sexta, mas continua como o melhor restaurante do Brasil na lista. O Maní, de Helena Rizzo e Daniel Redondo, subiu da 51ª para 46ª posição. O restaurante homônimo da chef Roberta Sudbrack, no Rio de Janeiro, caiu da 71ª para a 80ª.

 

 

Mais um restaurante promovido a 3 estrelas no Michelin francês.

O chef Arnaud Donckele do restaurante "La Vague d'or"

Arnaud Donckele do restaurante “La Vague d’or”

O mais novo restaurante a integrar o topo da lista do guia Michelin francês é o La Vague d’Or, em Saint Tropez, do jovem e desconhecido chef Arnaud Donckele, 35. O guia mais famoso do mundo contou apenas com um novo representante este ano na sua classificação máxima (3 estrelas).

Donckele define sua cozinha como “feminina e viva” apostando em ervas e cítricos – misturados a peixes pouco conhecidos.

O guia também contou com mais 5 novos restaurantes 2 estrelas. Já as baixas foram mais sensíveis, 3 perderam uma das duas estrelas e outros 35 perderam sua única estrela.

O mais novo integrante do guia só abre suas portas para o jantar e durante a temporada de verão. Se quiser conhecer os prazeres da gastronomia de Donckele na costa azul francesa, ligue e faça sua reserva, a temporada esta prestes a começar!

LA VAGUE D’OR
Plages des Sablettes – Promenade Charcot – 04 9494-8000
http://www.lavaguedor.fr

 

 

Restaurante Assinatura – Jantar em 5 momentos

Festival de Caças

Festival de Caças

Acostumado com os altos preços dos restaurantes paulistanos, recebi outro dia um email do elegante e acolhedor restaurante Assinatura de Lisboa que me chamou a atenção.

O email convidava para mais um, entre tantos jantares temáticos que o chef Henrique Mouro promove todos os meses em seu restaurante. Composto por cinco momentos, o email apresentava o Festival de Caças que inicia hoje dia 29/01 e vai até o final do mês.

Os pratos são uma tentação para os amantes da gastronomia:

# Canja de faisão com cogumelos
# Empada de perdiz com tomilho
# Perna de javali na abóbora
# Lebre de vinho tinto com feijocas
# Lombo de veado na frigideira

E o preço é outro destaque. Os cinco momentos custam 38 euros para assinantes. Isto mesmo, pouco mais de R$ 100,00 para um menu degustação de caças. Como na maioria dos restaurantes portugueses, você também encontra uma seleção de vinhos para a ocasião. As opções são frescos e jovens (24 euros) e elegantes e evoluidos (34 euros). Ambas com vinhos portugueses para você desfrutar de toda diversidade do país.

Quem estiver com viagem marcada a Portugal vale a visita.

Restaurante Assinatura
Rua do Vale Pereiro, Nº 19  (na esquina com a Alexandre Herculano, Nº 51)
1250-270 Lisboa/ Portugal
Telefone: (351) 21 386 76 96
Email: restaurante@assinatura.com.pt

 

Confraternização de fim de ano – trufas brancas a porto 1952

“Quanto mais ando para frente, mais volto para trás”. Dita assim, sem maiores explicações, a frase nos propunha um enigma. Enigma que fomos decifrando pouco a pouco, saboreando cada etapa de sua solução, nas horas que passamos com Maurizio Remmert, no almoço de confraternização de final de ano da confraria.

Maurizio, chef italiano que cozinha por hobby, nos recebeu em seu apartamento, que conta com uma cozinha maravilhosamente equipada depois de uma reforma efetuada para abrigar aparatos modernos, como fornos alemães Gaggenau, thermomix, forno de indução, cortador Berkel e muitos outros utensílios que ajudam o preparo de receitas especiais.

Os brancos

Os brancos

Com todos os confrades presentes, a primeira etapa do cardápio apontava para gougères de bourgogne, leves bolinhos feitos com gruyère. Os vinhos escolhidos para este momento foram champanhes. Moet Chandon para começar e logo depois um Blanc de Blancs Brut de Jacques Selosse. O Initial Grand Cru é amarelo ouro e no nariz traz toques de tostado e de amêndoas. Anselme Selosse, produtor de terroir, é um daqueles heróis que segue insistindo em uma produção limitada, elaborando seu champanhe a partir de uma viticultura orgânica e vinhos fermentados em carvalhos adquiridos do Domaine Leflaive.

Já à mesa, manjubas marinadas no vinagre de jerez para começar, seguidas de uma fora de série salada di mare com vagens, coentro e batatas, acompanhadas de um Pouilly Fuissé 2001, do Domaine Valette.

Ovo Gelificado com tartufo

Ovo Gelificado com tartufo

A próxima etapa do almoço foi marcada pela presença de uma iguaria especial e rara: tartufo bianco de alba, que escoltou os próximos três pratos. Para iniciar, um ovo gelificado perfeito, com redução de caldo e trufas brancas. Uma das especialidades do chef, esse ovo é cozido por 90 minutos a 63 graus. De textura impar o prato foi acompanhado das lascas generosas de trufas, gerando um aroma marcante e único. Seguimos… e logo fomos agraciados por um carpaccio legítimo – carne vermelha finamente cortada e batida até chegar à espessura ideal –, também realçado por trufas brancas. Para finalizar essa parte em que as trufas eram o destaque, nos foi servido um tagliarini com azeite, salvia e trufas brancas. Os vinhos que escoltaram este grande momento foram um Barolo 1996 de Bruno Giacosa, produção limitada de apenas 6.130 garrafas que concentram um espírito de Itália como poucos vinhos têm a capacidade de fazer – e um Echezeaux 1994 do Domaine René Engel, produtor já falecido que honrava a sua Borgonha apostando em uma produção ainda mais limitada, de 2.000 garrafas.

Haut Brion 1995

Haut Brion 1995

Nada está tão bom que não possa melhorar ainda mais, o que ficou provado quando mais dois decanters chegaram à mesa. Neles, um dos grand cru classés de Bordeaux: Haut Brion 1995 (RP96), que estava há 2 horas aberto e respirando, pronto para brilhar na companhia de um pernil de porco com batatas e alecrim que ficara assando por 11 horas a baixa temperatura. O Haut Brion se apresentou com todas as credenciais que o fizeram famoso: escuro, vermelho, com um nariz tipicamente rico e que exalava frutos pretos, café e baunilha. Na boca, fantástica profundidade de fruta, equilíbrio e harmonia. Um espetáculo à altura do pernil de porco, que viria a ser eleito, ao lado do ovo gelificado, um dos grandes pratos daquele almoço.

Graham's 1952

Graham’s 1952

Terminada a sequência de vinhos brancos e tintos, seguimos para terceira etapa do evento: vinhos fortificados e sobremesa. Os morangos, sorbet de morangos e pimenta do reino foram coroados – com o perdão do trocadilho – por um Graham’s Tawny 1952, engarrafado em 2012 em homenagem ao jubileu da rainha da Inglaterra… God Save the Queen! – mas esse porto será tema para um post do Maia, nosso confrade que nos presenteou com este que é, sem dúvida o melhor porto que muitos de nós provaram na vida – no meu caso, só pode ser equiparado a um Taylor’s Vintage 1994 (WS100 e RP100). O próximo fortificado também era um representante da Graham’s, mas desta vez um vintage 1983, que escoltou um sempre delicioso queijo da serra da estrela.

Giacosa magnum 1995

Quinta da Gaivosa magnum 1995

Passavam das 20h30 quando terminamos o menu inicial do nosso “almoço”. Porém, os confrades não desistem nunca. Para aqueles que prestaram atenção no cardápio, havia um último item, que dizia “pizza”. E lá foi Maurizio preparar sua massa. Para suprir a falta de um forno a lenha, a água utilizada para o preparo passa previamente por um pequeno defumador alimentado por chips de madeira. A pizza, depois de aberta, é assada em alta temperatura num forno elétrico, que não deixa nada a dever ao modo tradicional. Como não poderia faltar vinho, uma garrafa em tamanho magnum da Quinta da Gaivosa 1995, do produtor e amigo português Domingos Alves de Sousa, foi aberta, fechando com chave de ouro o nosso evento.

Nessas horas que passamos juntos, a frase dita por Maurizio foi ganhando sentido a cada garfada. Uma cozinha que prima pela técnica e não abre mão da tecnologia, mas sabe que algumas coisas são como são por algum motivo, e que a tradição deve, por isso, ser sempre que possível respeitada. Uma cozinha que entende que ingredientes de qualidade são a alma de um bom prato e que, ainda que saiba que a forma de lidar com eles pode ser melhorada por aparelhos modernos, compreende também que o preparo que alguns deles vem recebendo por décadas ou séculos nunca pode ser ignorado.

Serviço

Serviço

Para difundir a sua mensagem, Maurizio conta com uma brigada fiel e talentosa – a sous chef Raimunda, seu braço direito na cozinha, Gera, responsável pela preparação das massas e pães, e Dani, que cuida do serviço. Ao final da nossa refeição, todos vieram até a sala receber uma merecida salva de palmas – por terem executado com perfeição a proposta do comandante Maurizio de continuar avançando sem deixar de olhar para trás. O enigma estava solucionado, o que não o tornava menos interessante. Como no título do livro de um famoso economista, o navio de Maurizio segue em frente, mas com uma lanterna na popa, que lhe permite resgatar o passado sempre que este lhe pode ensinar que rotas antes navegadas podem ser o melhor caminho para o futuro.

Assim chegamos ao fim do nosso 114º encontro. Mais do que os vinhos, restaurantes, viagens e pratos especiais, mais do que as visitas e degustações, ao longo destes nove anos, tenho certeza de que a amizade dos confrades é o que mais importa e torna cada um desses encontros único e especial!

Desejamos a vocês uma passagem de ano repleta de saúde, paz, harmonia e muitos vinhos para celebrar a vida, os amigos e a família!

Meus agradecimentos especiais ao Edu que foi fundamental na construção, revisão e colaboração deste post.

Confiram todas as fotos do evento!

 

Alentejo, o fim – post 5 (viagem a Portugal)

Começamos o nosso último dia de viagem a Portugal com a agenda um pouco mais tranquila. Depois de tantas degustações, visitas e restautantes tinhamos apenas mais dois compromisos oficiais – Herdade dos Coelheiros e Tasquinha do Oliveira. A Primeira criada em 1.981, é uma propriedade familiar, com cerca de 800 ha, situada na Rota histórica dos Vinhos do Alentejo. Em suas terras encontramos nogueiras, olivais, vinhas e sobreiros.

Casca do Sobreiro

Casca do Sobreiro

A visita começou com um passeio off-road por uma enorme plantação de sobreiros. As árvores vivem em média 200 anos e possuem uma enorme capacidade de regeneração. Ao longo de sua vida útil, mais de 16 descortiçamentos são efetuados a cada período de 9 anos. A cortiça possui inúmeras utilidades, mas é para a produção de rolhas que são destinada.

Logo depois passamos por mais de 70 ha de nogueiras e fomos visitar o processo de seleção, limpeza e armazenamento. Conhecemos também os 6 tipos diferentes de nozes plantadas na herdade, são elas – serr, franquette, lara, hartley, chandler e pedro são as variedades plantadas na herdade.

Cabernet da Herdade

Cabernet da Herdade

Ao visitar os vinhedos, encontramos variedades brancas e tintas autóctones do Alentejo (arinto, roupeiro, antão vaz, trincadeira, aragonez, alicante bouschet e castelão) e  estrangeiras (chardonnay, sauvignon blanc, cabernet sauvignon, merlot, petit verdot e syrah). Através dos anos, a herdade vem conseguindo reconhecimento internacional na produção dos vinhos e esta excelência teve início na decada de 90 com o Tapada de Coelheiros 1.991. Nossa próxima parada foi a sala de provas. Lá conhecemos mais alguns rótulos da casa – Herdade dos Coelheiros Branco 2010, Vinha da Tapada tinto 2010 e Herdade dos Coelheiros Tinto 2008. Uma outra experiência interessante, foi o teste de aromas dentro da adega. Com um clima mais do que favorável, passamos bons momentos tentando descobrir o que existia dentro das taças negras!

Passamos na winestore, abastecemos o nosso estoque e partimos para um almoço descontraido em Evora. O restaurante escolhido foi o Luar de Janeiro e o que deveria ser um almoço leve, se tornou mais um evento. Diversas entradas a mesa, pratos regionais mais do que elaborados e muito vinho para alegrar os amigos compeltaram a refeição. Para não deixar de relatar, os vinhos pedidos foram – Casa dos Zagalos Reserva 2008, Herdade do Sobroso Reserva 2007 e Dolium Reserva 2003.

Vertical de Pera Manca

Vertical de Pera Manca

Com a tarde livre, os confrades se dividiram. Alguns foram conhecer a cidade, outros descansar um pouco e eu, Cristiano e Alexandre fomos visitar a loja do Sr. João Louro. Fundada em 1951 e no centro de Évora, possui raridades de todos os tipos. Alguns minutos de conversa com o Louro e logo estávamos na sua cave climatizada e bem organizada, com um estoque invejável. Diversos vinhos portugueses e de safras antigas descansavam tranquilamente em suas caixas, entre eles destaque para o porto Taylor’s Scion safra 1.850 de módicos 2.500 euros e o porto Andresen colheita 1.910, além de verticais de pera manca e barca velha. Foi aqui que encontrei os grandes vinhos da Quinta do Crasto que procurava – Maria Tereza 2007 e Vinha da Ponte 2007.

Passamos boas horas ouvindo suas histórias, provas, experiências e conhecendo um pouco mais sobre o mundo do vinho. Provamos seu licoroso feito com Moscatel e ficamos ansiosos para conhecer seu tinto que ainda não estava pronto. Com um pouco mais de experiência, seguimos para o hotel e na sequência, para o nosso último evento da viagem – jantar no Tasquinha do Oliveira. Iria parar por aqui, mas resolvi fazer um post exclusivo sobre este encontro de despedida. Aguardem a semana que vem!

Continue lendo sobre a nossa viagem:

# Chegada ao Porto – Post 1
# Douro – patrimônio mundial – Post 2
# Bairrada e seu leitãozinho – Post 3
# Alentejo o início do fim – Post 4
# Alentejo, o fim – Post 5

 

Alentejo o início do fim – post 4 (viagem a Portugal)

Saímos da Bairrada e chegamos no fim do dia em Évora. Com 5 vinícolas reservadas e dois dos mais famosos restaurantes da região – o Fialho e a Tasquinha do Oliveira, partimos para a última fase da viagem.

Alguns Confrades e o Sr. Hans

Alguns Confrades e o Sr. Hans

Começamos com um rápido café da manhã no hotel Mar de Muralhas e fomos visitar a Cortes de Cima. Uma vinícola nova, fundada em 1988, e com sua primeira vindima em 1996. Os proprietários Hans e Carrie quebraram todos os protocolos da região ao rejeitar os conselhos e os modelos adotados pela DOC (denominação de origem controlada) ao plantarem suas vinhas no modelo de condução Smart-Dyson, no qual se potencializam-se a expansão vegetativa e a grande produtividade, mantendo o tronco e o restante da estrutura entre 0,7 e 1,2 metro do solo, ao invés do método aprovado, Cordon Francês que mantém as vinhas a uma curta distância do solo. Em 1998 o primeiro vinho de “castas fora da lei” foi engarrafado, quebrando mais uma vez os padrões da região, o Incógnito ganhou medalha de ouro em Bruxelas e foi escolhido por Jancis Robinson como um dos seus vinhos portugueses preferidos.

Vinhos da Cortes de Cima

Vinhos da Cortes de Cima

Nossa visita foi conduzida pela assistente Enóloga Helena Sardinha e pelo Sr. José Eduardo, um entusiasta e grande conhecedor da história da vinícola. Depois de conhecer o processo de vinificação, partimos para um painel de degustações dos vinhos da casa – Cortes de Cima 2010 (blend), Trincadeira 2010, Syrah 2010, HCA 2009, Touriga Nacional 2007 e o Petit Verdot 2009. Destaque para o Touriga Nacional 2007.

Os três tintos da Herdade do Grous

Os três tintos da Herdade do Grous

Após posar para a foto oficial da fan page da vinícola e assinarmos o livro de visitas, partimos para o almoço acompanhado de provas dos vinhos da Herdade do Grous, mais um projeto com forte apelo ao turismo (hotel de charme, restaurante, wine bar e loja). Como estávamos atrasados, fomos direto ao restaurante pulando a visita.

Mais uma vez os vinhos foram uma grande surpresa, começamos com o branco reserva em tamanho magnum para as entradas típicas da região, depois os pratos principais – bacalhau, filet de vitela e arroz de lebre que acompanharam os três ícones tintos da herdade – 23 barricas 2010, Moon Harvested 2010 e Grous Reserva 2009. Cada um com suas caracteristicas e histórias, mas o destaque foi para o Moon Harvested (100% alicante bouschet) representando o reflexo da Lua na viticultura, o resultado é um vinho complexo, de taninos maduros e sedosos. Sua vindima manual ocorre durante o ciclo de maior influência da lua no transporte da seiva.

Malhadinha Nova

Malhadinha Nova

Para finalizar as visitas as herdades deste primeiro dia alentejano, passamos na Malhadinha Nova. Com um vasto portfólio de vinhos brancos, roses e tintos, a Herdade conta também com restaurante, hotel & spa e muitos hectares de vinhas. A moderna adega inserida na Rota dos Vinhos do Alentejo, possui um fazenda e um agradével passeio de land rover para conhecer suas terras. Depois do “safari” e uma rápida visita pela adega e vinificação, fomos para a prova com mais 6 vinhos da Herdade. O Malhadinha Tinto foi o melhor vinho que provamos, um blend das castas Tinta Miuda – 30%, Aragonês – 30%, Alicante Bouschet – 20%, Touriga Nacional – 12% e Syrah – 8%, um vinho com muita fruta madura e especiarias, mas muito além dos ícones da casa – Pequeno João e Menino Antônio, em homenagem aos mais novos herdeiros da família que administra a vinícola.

Outra curiosidade da vinícola são os rótulos assinados pleas filhas mais velhas (Francisca e Matilde) da família.

Rótulos criados e assinados por Matilde e Francisca

Rótulos criados e assinados por Matilde e Francisca

Infelizmente não conseguimos vistar o Hotel & Spa que fica totalmente integrado a paissagem alentejana, onde a tradição e a modernidade se encontravam.

Como é de costume nestas viagens enogastronomicas, não paramos por aqui. Tinhamos pela frente uma reserva no Fialho, quase um patrimônio nacional. Fundado em 1948 o restaurante conserva a tradição da cozinha alentejana desde então. Não poderia faltar vinho num banquete como estes, e o Santa Vitoria Reserva Safra 2010 (branco), Quinta do Mouro 2006 (tinto) e o Porto Niepoort Tawny 10 anos foram os escolhidos da noite.

Com três vinícolas, dois restaurantes e exatos 20 vinhos diferentes fechamos mais um dia de viagem!

Continue lendo sobre a nossa viagem:

# Chegada ao Porto – Post 1
# Douro – patrimônio mundial – Post 2
# Bairrada e seu leitãozinho – Post 3
# Alentejo o início do fim – Post 4
# Alentejo, o fim - Post 5

 

 

Bairrada e seu leitãozinho – post 3 (viagem a portugal)

Terceiro dia de viagem e as expectativas só aumentavam, mesmo com visitas e jantares mais do que diferenciados nos últimos dias, tínhamos pela frente uma programação intensa.

Borda infinita, rio Douro ao fundo

Borda infinita, rio Douro ao fundo

Partimos cedo do hotel para a Quinta do Crasto, outra vinícola envolvida no projeto Douro Boys que comentei no post anterior. Apesar de perto, pouco mais de 20 Km, a estrada de acesso é completa de curvas e a velocidade média é limitada. Não ache que isto é um problema, porque a vista deste pequeno e longo trajeto é mais do que espetacular.

Ao chegarmos no Crasto fomos direto para a parte fashion da quinta. Ombrelone num terraço com vista privilegiada ao rio Douro e seus vales, seguido da piscina com borda infinita que completavam a paisagem.

laborátorio da Quinta do Crasto

laborátorio da Quinta do Crasto

Logo fomos conhecer as vinhas e sua história, passamos pela adega e paramos no laboratório, onde testes e estudos são efetuados diariamente para controlar a qualidade do que se engarrafa.

As provas ocorreram na antiga casa/ sede da propriedade. Uma lista de vinhos nos foi apresentada e os famosos Maria Tereza e Vinha da Pontes ficaram de fora. Pior, não tinha nem na winestore para compra. Sua produção ocorre apenas em safras excepcionais e pouquíssimas garrafas vão ao mercado (3.000 do vinha da ponte e pouco mais de 5.000 do Maria Tereza). Mas esta história não acaba por aqui, achamos pouquíssimas garrafas a venda em Évora e depois conto mais detalhes.

Os vinhos que provamos foram – Crasto Branco 2010, Crasto Tinto 2010, Crasto Superior 2010, Crasto Vinhas Velhas 2010, Crasto Tinta Roriz 2009 e Crasto porto twany 10 anos. Como sempre o vinhas velhas superou as expectativas, talvez porque tenhamos uma relação especial com este vinho, em uma de nossas degustações fizemos uma vertical de Crasto das safras 2003, 04, 05 e 06 ou porque ele é realmente fora dos padrões. Não poderia deixar de comentar do seu preço no mercado europeu – 28 euros o que é infinitamente mais barato que os 180 reais praticados no Brasil (prometo não fazer mais estas comparações).

Quinta do Crasto

Quinta do Crasto

Com pouco mais de dois dias e uma noite no Douro, era hora de partir. Mesmo com o quantidade de vinícolas e restaurantes que tínhamos pela frente, a certeza de que poderíamos ficar um pouco mais era unanime.

Bairrada era nosso próximo destino, 3 horas de viagem e estávamos chegando a região da uva baga que produz vinhos bem adstringentes, mas neste caso, nosso objetivo era o famoso leitãozinho, que em 2011 foi eleito uma das 7 maravilhas gastronômicas de Portugal!

Nossa reserva era no Rei dos Leitões, eleito entre os três melhores restaurantes da região pela confraria gastronômica do leitão da Bairrada, e um dos diversos restaurantes da Estrada Nacional 1, que fica entre Coimbra e Anadia, na zona da Mealhada.

Leitãozinho da Bairrada

Leitãozinho

O leitão que não passa de 2 meses de vida e 7 quilos de peso, é assado lentamente durante 2 horas. Para que a cozedura seja uniforme, deve se girar manualmente o leitão pelos 30 minutos iniciais. Durante o tempo de assadura o leitão é retirado do forno e borrifado com um bom vinho branco da Bairrada. Estes processo é feito com um ramo de louro e têm por finalidade tornar a pele dura e crocante.

Para acompanhar esta maravilha gastronômica, escolhemos na carta dois vinhos brancos, um representante da região – Vinhas Velhas do Luis Pato 2010 e um tradicional e famoso representante do Alentejo – Pera Manca Branco 2008. Este último das uvas Antão Vaz e Arinto, tem cor amarelo claro, é aromático e tem notas minerais, fino e complexo. Em boca é seco e com alguma acidez.

Legítmo Leitão da Bairrada

Legítmo Leitão da Bairrada

Não podia deixar de lado os acompanhamentos que fizeram tanto sucesso entre os confrades – batata chips e laranja para quebrar a gordura do leitãozinho.

Após a orgia enogastronomica, entramos na van e mais algumas horas de viagem estávamos chegando a Évora para o descanso dos justos.

Continue lendo sobre a nossa viagem:

# Chegada ao Porto – Post 1
# Douro – patrimônio mundial – Post 2
# Bairrada e seu leitãozinho – Post 3
# Alentejo o início do fim – Post 4
# Alentejo, o fim - Post 5

 

Douro, Patrimônio mundial – post 2 (viagem a Portugal)

Depois de um longo dia no Porto e algumas poucas horas de descanso, partimos para o Douro. A viagem que dura pouco mais de 1 hora foi tranqüila, estradas muito bem conservadas, sinalizadas e praticamente vazias. Nosso primeiro destino foi a Quinta do Vallado para uma visita e almoço com prova de quase todos os vinhos da casa. A exceção foi o Adelaide, vinho TOP da quinta e muito exclusivo, apenas em anos excepcionais são engarrafados os rótulos.

Quinta do Vallado

Quinta do Vallado

O Vallado faz parte de um projeto de promoção da região do vale do Douro, chamado Douro boys, no qual cinco grandes produtores locais – Niepoort, Quinta do Vallado, Quinta do Crasto, Quinta do Vale Dona Maria e Quinta do Vale Meão, se reuniram para dsenvolver ações conjuntas nos mercados internacional, através de participações em feiras, provas, workshops e convites a jornalistas e “sommeliers” para visitarem as Quintas.

Rio Douro

Rio Douro

Além dos grandes vinhos produzidos no Douro, a paisagem também é um caso a parte. Séculos de trabalho e suor humano, removeram o xisto maciço, moldaram os muros e patamares de socalcos para plantar as videiras que possuem uma exposição solar privilegiada. No século XVIII, Marques de Pombal, também agraciou a região criando a primeira região demarcada do mundo para as castas que produzem o celebre vinho do Porto, e em 2001 a UNESCO elevou o Alto Douro Vinhateiro a patrimônio da Humanidade.

Voltando a viagem, chegamos poucos dias depois do fim da vendima e a adega estava em fase final de produção do aguardente vínico, elemento fundamental para a produção do vinho do porto (tema para um post futuro).

Hotel de charme da Quinta do Vallado

Hotel de charme da Quinta do Vallado

No almoço foi servido cabrito assado com batatas e arroz de forno. Os vinhos da casa que provamos foram – Quinta do Vallado Branco 2010, Quinta do Vallado Reserva Branco 2010, Quinta do Vallado Tinto 2010, Quinta do Vallado Reserva Tinto 2009, Quinta do Vallado Touriga Nacional, Porto tawny 10 anos e Porto tawny 20 anos que acompanhou um serra da estrela depois da sobremesa. Destaque para o Quinta do Vallado tinto, um dos vinhos de entrada de gama, é encorpado com muitos frutos maduros e taninos equilibrados, custa módicos 5 euros e atende parte do consumo diário do mercado local. Pena um vinho tão bom e barato chegar aqui custando mais de R$ 65,00.

O restaurante fica no hotel de charme da quinta. Uma construção moderna toda ela de xisto, pedra que compoe a paisagem e o terroir local. Algumas poucas salas de contemplação com boa musica e vista previlegiada para os vales da região completam o lugar.

Cristiano "pilotando" um dos jeeps

“pilotando” um dos jeeps

Com um pouco de atraso partimos para uma outra visita, a expctativa era alta, pois havíamos enviado um email reservando a visita e fomos informados que no domingo dia 14/10 a quinta estaria fechada. Ao agradecemos a mensagem recebemos uma resposta do Sr. Domingos Alves de Sousa, enólogo e proprietário da quinta informando que nos receberia, pois se tratava de um grupo de brasileiros, povo que ele simpatiza muito.

Esqueçam todos os modelos de visitas convencionais, o nosso amigo Domingos, quebrou todos os protocolos e começamos com uma visita a seus vinhedos que ocupam mais de 130 hectares em um de seus carros particulares, pois o grupo era grande e não caberia todo em sua X5.

amigos

amigos

Ao retornarmos a sala de provas tudo melhorou ainda mais… começamos com alguns vinhos brancos e tintos de entrada de suas quintas, mas logo passamos a provar vinhos TOPs da casa, foi uma diversidade deles. A cada instante o Sr Domingos aparecia com um vinho novo retirado de uma adega ou de um cantinho da sala de provas, e assim ficamos por mais de 2 horas provando quinta da gaivosa, abandonado, lordelo e reserva pessoal (brancos e tintos). A lista total passou de 12 vinhos. A atenção foi tão grande, que retribuimos com um convite para o jantar. Para nossa satisfação ele aceitou e algumas horas mais tarde estávamos sentados em um dos restaurantes mais badalados do Douro, o DOC, com um dos enólogos e produtores mais influentes da região.

Saímos com a certeza de que fizemos um grande amigo e que pudemos conhecer a vida de um importante produtor local. Próximo passo era passar no hotel, deixar as malas, tomar um banho rápido e partir para o DOC, onde nosso novo amigo nos esperava para mais uma aula.

O hotel recém inaugurado Delfim Douro, foi uma boa escolha, não só pela sua localização e preço, mas principalmente pela vista privilegiada do rio Douro.

Vista do restaurante

Vista do restaurante

Chegamos no restaurante DOC na hora marcada e como esperado o Sr Domingos nos esperava com mais algumas preciosidades, quase todas de safras antigas e especiais. A vista e os menus de degustação do consagrado chef Rui Paula foram os pontos fortes do local.

 

Mas não menos importante, os vinhos do nosso novo amigo foram perfeitos para acompanhar as alheiras, polvos, bacalhaus e cordeiros do menu! Os vinhos selecionados pelo Sr. Domingos para o jantar foram – Murganheira Milessime, Vale da Raposa Branco 2009, Reserva Pessoal Branco 2003, Vale da Raposa Touriga Nacional 2003, Quinta da

Rui Paula e seus menus

Rui Paula e seus menus

Gaivosa Reserva 2005 e o porto LBV 2004. Assim terminamos mais um dia de viagem… na varanda do DOC, as margens do Douro, com temperatura abaixo dos 10 graus, tomando um porto do Sr. Domingos Alves de Sousa, nosso novo amigo!

Com mais duas vinícolas, dois restaurantes e mais de 20 vinhos, fechamos mais um dia de viagem.

Semana que vem conto da visita a quinta do Crasto e o almoço na bairrada!

Continue lendo sobre a nossa viagem:

# Chegada ao Porto – Post 1
# Douro – patrimônio mundial – Post 2
# Bairrada e seu leitãozinho – Post 3
# Alentejo o início do fim – Post 4
# Alentejo, o fim - Post 5